Enfermagem se destaca e ganha prêmios na I Mostra Alagoas Aqui Tem SUS

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Três enfermeiras ganharam os maiores prêmios com seus projetos na I Mostra Alagoas Aqui Tem SUS do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), que aconteceu na última sexta-feira (12) no auditório do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau). O coordenador do Comitê de Valorização do Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL), Lucas Casado, esteve presente na premiação.

Foram mais de 220 trabalhos de 36 municípios inscritos na Mostra. Todos os três trabalhos das enfermeiras promovem ações de valorização e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nas suas cidades. Para o presidente do Coren-AL, Renné Costa, o resultado reflete como a enfermagem é peça fundamental para a saúde pública.

“A enfermagem é de suma importância social pois é evidente que a sua participação é fundamental na melhora de indicadores da saúde. Esses profissionais travam lutas diárias e diariamente recebem recompensas através da melhoria dos seus pacientes. Agora, lutamos também para serem valorizados por gestores, instituições de saúde e colegas de profissão, e prêmios como esses auxiliam nessa função. O Coren parabeniza e valoriza essas profissionais”, afirmou.

O primeiro lugar com o prêmio de R$ 10 mil foi para Atalaia, de autoria da enfermeira Mara Ferreira, com título “Circuito Eu Sou SUS Pré-Natal: uma estratégia para fortalecer a adesão ao pré-natal na E.S.F Branca II em Atalaia – Alagoas”.

O 2º lugar foi para Batalha que recebeu R$8 mil através do trabalho com o título “O impacto das boas práticas de saúde na redução do uso compulsivo e indiscriminado de psicotrópicos pela população de uma UBS da Zona Rural do município de Batalha” da enfermeira Klébia Melo.

Já a enfermeira Ana Maria Wanderley, de Girau do Ponciano, ficou em 3º lugar e recebeu o prêmio de R$6 mil com o trabalho: “Benefícios das práticas integrativas e complementares no apoio da atenção à saúde do idoso – Programa Valorização da Melhor Idade”.

O objetivo da Mostra foi promover o intercâmbio de experiências municipais, além de estimular, fortalecer e divulgar as ações de municípios que inovam nas soluções visando à garantia do direito à saúde. Outro proposito foi dar visibilidade às práticas na abrangência da gestão local, segundo a realidade dos territórios.

 

1º lugar

Enfermeira Mara Ferreira de Atalaia e sua equipe, em 1º lugar na Mostra

O Circuito Eu Sou SUS Pré-Natal foi instalado no município de Atalaia, a 48 quilômetros da capital, e reúne etapas que a gestante percorre em um cartão, nele há espaços para os profissionais da saúde registrarem as ações preconizadas pelo Ministério da Saúde. São dados das consultas de pré-natal médico-enfermeira; consulta do papai; atividades educativas; testes rápidos; imunização; saúde bucal; visita a maternidade, construção do plano de parto; ensaio fotográfico e consulta domiciliar puerperal.

Segundo Mara Ferreira, seu projeto além do fortalecimento do SUS, promove o empoderamento das gestantes nas atividades essenciais para pré-natal seguro. Através de um circuito ilustrativo, em um único campo de visão, auxilia a gestante a ter conhecimento de todas etapas que ela deve percorrer”, afirmou.

Com a ação, Atalaia passou a atender mais 90% das gestantes do município. “Esse é um dado que muda mensalmente, mas na maioria dos meses conseguimos 100% de atendimento às gestantes. Isso só foi possível através do trabalho intenso da minha equipe”, afirmou.

Além de aumentar a cobertura do direito à saúde, Atalaia ultrapassou a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.

 

2º lugar

Projeto de Batalha

Quando Klébia Melo começou a trabalhar em uma das Unidade Básica de Saúde do município de Batalha, a 183 quilômetros de Maceió, um dado chamou atenção: o alto número de pacientes que utilizava remédios controlados, os psicotrópicos. O ano era 2017 e Klébia, junto ao médico, traçou um diagnostico situacional, onde mostrava que naquela região eram emitidas cerca de 200 receitas por mês para esse tipo de remédio.

Ao perceber essa curiosidade, Klébia, como enfermeira, traçou estratégias onde solicitou dos profissionais uma equipe multidisciplinar, com clínico geral, psiquiatra, psicólogo, nutricionista, educador físico e através do projeto denominado “Feliz Mente”, iniciou uma série de consultas e ações educativas para socializar, melhorar a autoestima da população e conscientizar sobre o uso dos medicamentos.

Apesar da adesão dos usuários ao trabalho desenvolvido pela equipe ter sido gradativa, o resultado do trabalho foi surpreendente. Em um ano, com as medidas adotadas, o projeto conseguiu reduzir 64% o número de pacientes que faziam uso de medicamentos de forma inadequada. “Tive a sensibilidade de perceber e triar os pacientes que realmente precisavam do remédio e aqueles que precisavam de conscientização para o uso indiscriminado dos medicamentos psicotrópicos sem receita médica”, afirmou.

As intervenções adotadas vêm obtendo um melhoramento não só na saúde mental desses paciente, mas também condições de saúde como um todo.

 

3º lugar

A enfermeira Ana Maria Wanderley recebendo o prêmio

Em Girau do Ponciano, a 155 km de Maceió, os idosos foram beneficiados pelas maravilhas da medicina chinesa. De setembro de 2017 até agora, 68 idosos do município foram atendidos pela enfermeira Ana Maria Wanderley com sessões de acupuntura, Hai Hua, ventosaterapia entre outras técnicas.

O objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida, tendo em vista os processos naturais do velhecimento. Em casos de patologias que precisam de tratamento, os profissionais de atenção básica encaminham os pacientes para o ambulatório de medicina tradicional chinesa, onde Ana Maria que faz o diagnóstico energético e determina o número de sessões.

“Escuto relatos diários da melhora dos pacientes, seja no quadro de insônia, seja no quadro de dor. Já atendi um senhor com sequelas de AVC, teve alta após 24 sessões e já estava dirigindo”, afirmou. Os casos de dores no corpo são os mais comuns no consultório.

Além de bem-estar e saúde para a população idosa, o projeto traz economia para gestão que economiza no número de remédios que esses pacientes precisam tomar.