O primeiro café com o presidente do Coren/AL e lideranças de outras entidades representativas da enfermagem aconteceu nessa segunda-feira, dia 29, tendo como abordagem principal a qualidade da enfermagem obstétrica no Estado. Foi consenso a necessidade de se realizar uma fiscalização em todas as maternidades, ainda nesse primeiro semestre, para que o Conselho elabore um relatório atualizado da situação e, a partir daí proponha ajustes de conduta que possam resultar num modelo capaz de gerar maior qualidade ao trabalho da enfermagem obstétrica. ‘Com esse documento em mãos teremos mais força para reivindicar aos gestores investimentos viáveis à melhoria da assistência materno-infantil”, disse o presidente do Coren, Renné Costa, pedindo o apoio dos colegas em iniciativas do porte.
A data precisa dessa fiscalização será mantida em sigilo, mas foi acordado que todas as unidades que realizam parto serão fiscalizadas, sem exceção. De antemão também foi decidido que o local de trabalho deve ter em cada setor um enfermeiro responsável técnico (RT), e este, por sua vez, receberá treinamento técnico do Coren para atuar dentro de um padrão de qualidade representativo das melhores práticas profissionais possíveis. “A padronização dos procedimentos faz todo um diferencial numa equipe,’ frisou o assessor de assuntos institucionais do Coren, Rildo Bezerra, ao manifestar apoio à proposta.
Participaram do café: Hilca Mariana Gomes (coordendora da Câmara Técnica de Saúde da Mulher e da Criança do Coren), Dannyelly Dayane Alves (Santa Mônica), James Farley (presidente da ABEN – Associação Brasileira de Enfermagem), Sandra Traveiros (Coordenadora do Curso de Espec. em Enfermagem Obstétrica da Ufal) e Elisângela Sanches (presidente da Assoc.Brasileira de Enfermeiros Obstétricos). O presidente do Sindicato dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem Mário Jorge Lima, e do Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas, Rosimeire Machado, também estiveram presentes. Na ocasião, foram relatados diversos exemplos da falta de compromisso dos gestores com a qualidade da assistência obstétrica. ‘De modo geral, há muito o que avançar. Vamos fazer cobranças e adequações em toda parte, começando, provavelmente, pela área da obstetrícia porque as aberrações estão mais expostas, mas nada escapará dos olhos corretivos da fiscalização”, reforçou Renné, lembrando que o objetivo não é punir e sim corrigir o que está errado.
Segundo ele, é imprescindível que o Coren trabalhe de mãos dadas com as demais instituições representativas da enfermagem, ao invés de fazer um trabalho isolado, inclusive um dos pontos pactuados foi a reativação do fórum das entidades de enfermagem – um movimento para unificar as lutas da classe. Além disso, outro ponto discutido foi a possibilidade de pedir ajuda, também, à equipe de fiscalização do Conselho Federal de Enfermagem para dar agilidade às fiscalizações. ‘Com a força tarefa do COFEN esperamos que tudo seja concluído em tempo recorde. Consequentemente, o diagnóstico da situação de Alagoas também ficará pronto num curto espaço de tempo, e será encaminhado aos gestores o mais cedo possível, com pedido de ajustes de conduta. Todos vão ganhar com os resultados dessa iniciativa, tanto os enfermeiros quanto a população, e a equipe de profissionais da saúde, como um todo”, observou Hilca Mariana Gomes, acrescentando que algumas casas de parto recebem verbas mesmo com seus leitos desativados, o que pode ser comprovado durante as fiscalizações. Ela defendeu que cada unidade de atendimento tenha, além dos responsáveis técnicos, um comitê de ética, a fim de fomentar a cultura do debate e discussão contínua sobre a forma correta de atuação da enfermagem.
ASCOM 29/01/2018
