Entre os mais de 400 alagoanos que estão na fila de espera para receber um órgão transplantado, está Ana Karolina Gama de Moraes de 29 anos. O caso de Ana tem sido notícia em Alagoas após ela perder quatro vezes a oportunidade de receber o órgão transplantado.
Há mais de um ano Ana foi diagnosticada com miocardiopatia periparto, uma disfunção grave que atinge o coração. Em janeiro, ela teve a oportunidade de receber quatro órgãos compatíveis, mas familiares dos pacientes que tiveram morte cerebral declarada, por motivos diversos, não quiseram realizar a doação.
De janeiro a agosto de 2018 em Alagoas aconteceram 85 transplantes, mas cerca de 400 pessoas ainda estão na fila de espera. De acordo com a enfermeira Eleonora Cardoso, coordenadora da Organização Procura de Órgãos (OPO), a taxa de recusa das famílias de um paciente diagnosticado com morte cerebral e apto à doação de órgãos ainda é muito grande, mas houve uma queda significativa.
“Em 2016 a recusa era de 75% e em 2017 foi de 40%, ao mesmo tempo o número de transplantes tem aumentado a cada ano. Pequenas vitórias que mostram como é importante o trabalho de formiguinha que é a conscientização”, afirmou.
Durante uma das Terças do Conhecimento de 2018, o Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL) falou sobre a importância do profissional da enfermagem no processo do transplante e reforçou a urgência de disseminar a conscientização entre os pacientes e familiares.
Caso de Ana Karolina
A prima de Ana Karolina Gama de Moraes, Alyne Moraes, explica que a paciente foi diagnosticada com a doença 48 horas após dar à luz a sua primeira filha. Ela relata ainda que o quadro da prima continua se agravando.
“Há alguns dias o quadro dela piorou muito, e então ela passou a ocupar uma das primeiras posições na fila de transplante, o que ocorre, infelizmente, quando o risco de morte se torna iminente”, afirma Alyne.
A enfermagem e o transplante
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) preconiza ao enfermeiro responsável pelo processo de doação de órgãos o planejamento, execução, coordenação, supervisão e avaliação dos procedimentos de enfermagem prestados ao doador, bem como, planejar e implementar ações que visem a otimização de doação e captação de órgãos e tecidos para fins de transplantes. Ao enfermeiro responsável pelo cuidado a candidatos e receptores de transplantes incumbe aplicar a sistematização da assistência de enfermagem, em todas as fases do processo de transplante de órgãos e tecidos ao receptor e família, que inclui o acompanhamento pré e pós-transplante (ambulatorial) e transplante (intra-hospitalar).
Em relação à atuação do enfermeiro, na prática profissional brasileira, destacam-se o enfermeiro clínico e o coordenador de transplante. O primeiro é responsável por promover os cuidados de enfermagem a candidatos e receptores, aos doadores de órgãos vivos e falecidos, e seus familiares ou cuidadores. O enfermeiro coordenador de transplante tem a função de gerenciar o programa de transplante, coordenando as diversas etapas que compõem o período perioperatório a longo prazo, além de promover o cuidado a candidatos e receptores quando necessário.
O enfermeiro clínico, para atuar no cuidado a esses pacientes, necessita obter conhecimentos e habilidades específicos, experiência clínica e estar em constante processo de educação, a fim de desenvolver pensamento crítico e habilidades para o processo de tomada de decisão. Dentre as atividades desenvolvidas por esse profissional destaca-se a avaliação, o diagnóstico, a identificação de resultados, o planejamento do cuidado, a implementação de intervenções e a avaliação de resultados voltados para a doação e o transplante de órgãos. O enfermeiro deve ter como base as ciências comportamentais, experiências com o processo de saúde-doença, patologia, fisiologia, psicopatologia, epidemiologia, doenças infecciosas, manifestações clínicas de doenças agudas e crônicas, emergências, eventos normais de saúde, e diagnosticar alterações de saúde.
